CRCD

Centro de Referência de Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolições

Se por um lado sobra dinheiro para o jundiaiense investir na compra de novos móveis e eletrodomésticos para sua casa, de outro falta um serviço melhor que recolha o material usado. É nessa hora que muitas pessoas acabam deixando a cidade mais feia: aproveitam a calçada alheia para abandonar o que não mais lhes interessa. A escolha normalmente recai sobre um espaço público, de preferência aqueles com muro de grande extensão. Dê uma volta pelo Vianelo, terra do prefeito eleito Pedro Bigardi, e veja que vergonha é o que largam no entorno da Escola Estadual Siqueira de Moraes. Tem sofá, colchão, escrivaninhas aos pedaços, carcaça de computador etc.

O mesmo se vê quando se dá uma volta pelo Cemitério Nossa Senhora do Desterro. Algumas coisas jogadas aqui, outras ali, umas mais adiante e a certeza de que Jundiaí não está dando conta do recado e que Bigardi terá que buscar uma solução, como prometeu durante a campanha.

Se você passar pela Senador Fonseca, verá o mesmo atrás do antigo quartel. Isso vale para outros tantos pontos da cidade que produz, em média, 8,5 mil toneladas de lixo por mês.

A maior parte disso é recolhida todos os dias e levada  para aterros sanitários. Os materiais recicláveis coletados, no entanto, representam só 5% desse total – aproximadamente 450 toneladas -, que são destinados ao Armazém da Natureza. Já o Cata-Treco recolhe cerca de 230 toneladas por mês. Ou seja, muita coisa acaba ficando pelo caminho mesmo.

E há um agravante: número expressivo de pessoas não respeita a agenda dos caminhões que pegam reciclagem.

Lamentável / Para moradores próximos desses locais que ficam abarrotados de lixo há um risco. O primeiro é ter que descer da calçada para andar pela rua. “É comum também aparecer rato, barata e até mesmo pulga quando jogam sofás velhos perto de casa. Já reclamamos várias vezes, mas não resolve. Já colocamos placas e também não resolve”, afirmou o aposentado Carlos Augusto de Lima, 64 anos.

A dona de casa Cecília Maria de Souza Alcântara, 51, também já não aguenta tantos restos de móveis em frente da sua casa, na Vila Municipal. “Temos um serviço para isso, mas as pessoas insistem em jogar o que não querem  aqui. Não sei se é porque o local tem pouco movimento durante à noite, mas toda semana tem caixas e mais caixas com restos de tanquinho elétrico, telhas, madeiras e mais um monte de lixo.”

Cata-Treco /A Prefeitura de Jundiaí conta com o serviço Cata-treco como parte do Programa Armazém da Natureza, responsável pela coleta de lixo reciclável.

No Cata-treco são recolhidos materiais volumosos,  como pneus, eletrodomésticos, móveis velhos. Entulhos de construção e materiais de poda de árvores não são recolhidos pelo cata-treco ou coleta seletiva. É preciso buscar alternativas com empresas particulares que fazem a remoção e dar um destino correto a tudo isso.

ONG propõe criar cooperativa de reciclagem
O Armazém da Natureza, através da coleta seletiva recolhe somente  5% do total de material reciclável gerado pela população de Jundiaí. Com uma consciência ambiental crescente na população, a ONG Arca (Ação de Reciclagem e Consciência Ambiental) é uma das entidades que veem no  setor uma forma de gerar empregos, além de dar a destinação correta ao material reciclável descartado atualmente.

“A ideia é profissionalizar e capacitar os trabalhadores que já atuam nesse setor”, explicou Alexandre Nicola, criador da ONG através de um projeto de sociologia. Seus três integrantes buscam montar um cooperativa de catadores de recicláveis.  “A ideia inicial era conhecer esse trabalho em que os catadores sofrem com exclusão da vida social”, conta.

Depois de um tempo estudando e conhecendo o cotidiano  dos catadores, ele se junto a Adenilson Duarte e Fábio Nicola Primo e conseguiram comprar uma perua Kombi com que recolhem 35 toneladas mensais.

Entre os parceiros estão o Shopping Paineiras e a Unimed Jundiaí, e eles garantem que já conseguem encaminhar o material coletado. O  trabalho levou à  ideia de cooperativa. “Descobri que um catador consegue, com seu carrinho, tirar cerca de R$ 15 por dia. Com uma cooperativa, o trabalhador poderia tirar cerca de R$ 2 mil por mês”, explica.

A ideia não é nova e outros, como o ambientalista Fábio Campos Alves,
tentaram levar a ideia ao atual governo tucano. Mas Alexandre busca aproveitar a mudança de governo com seus dados. Na cooperativa, diz, além de geração de emprego há ainda a coleta de mais recicláveis que atualmente vão para o lixo comum.

“Já temos uma conversa com a Casa Santa Marta, onde há um cadastro de cerca de 30 homens interessados nesse emprego”, diz. Mas a estrutura depende de recursos e, para isso, está sendo montado um projeto de venda de camisetas. Os interessados em participar podem entrar em contato com a Arca pelo telefone (11) 98371-0110, ou por email arcajundiai@yahoo.com.br.

Delícia de Reciclagem
Jundiaí conta ainda com um projeto oficial  que troca materiais recicláveis por verduras. O roteiro oferecido pelo programa “Delícia de Reciclagem” atende: às segundas-feiras (manhã) o Jardim Sorocabana; terças, Santa Gertrudes (manhã) e Vila Nambi (tarde); quarta-feira, Vila Ana, à tarde; quinta-feira, Jardim Fepasa (manhã)  e Parque Centenário (tarde); e sexta-feira: Jardim São Camilo.

R$ 593 mil
é o valor que a prefeitura paga pela coleta seletiva de 450 toneladas por mês

Denuncie
Os moradores que observarem a desova de lixo ou entulhos em áreas públicas ou particulares, pode anotar a placa e o modelo do veículo e registrar denúncia pelo telefone 156 ou pelo e-mail smsp@jundiai.sp.gov.br.

Por ALINE PAGNAN | aline.pagnan@bomdiajundiai.com.br | http://www.redebomdia.com.br
Categorias: Notícias

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