Sorocaba reaproveita 25% do entulho

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Entulhos e outros restos da construção civil devem ser enviados para o aterro de inertes. Em Sorocaba são produzidos mensalmente 45 mil metros cúbicos desses resíduos. Segundo a Prefeitura, 25% desse total é reciclado. Para fazer o descarte correto é necessária a contratação de caçambas que fazem o transporte até o aterro. As empresas que prestam esse serviço devem estar devidamente registrada nos órgãos de fiscalização do município. Na cidade, para atender a população são mantidos 21 ecopontos.

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Por meio do programa dos ecopontos, caçambas são disponibilizadas em pontos estratégicos. A orientação é para que nesses locais sejam depositados apenas os resíduos de pequenas obras e podas de árvores. O custo mensal para manter o aterro é de R$ 240 mil. Já os ecopontos custam R$ 135 mil mensais para os cofres públicos. Inaugurado em 2006, o aterro de inertes de Sorocaba funciona em uma área de 203,9 mil m3 na avenida Valentin Stebile, em frente ao Centro de Distribuição de Peças da General Motors (Zona Industrial).
Engenheiro em controle de poluição e tecnólogo em saneamento, o professor da Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens), Geraldo do Amaral Filho, afirma que os restos de construção devem ser separados pois, na maior parte dos casos, podem ser reaproveitados. Em Sorocaba, informa a Secretaria de Comunicação (Secom), depois da triagem dos resíduos é feita a britagem dos materiais.

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Em Sorocaba os restos de construção civil, após serem triturados, se tornam pedriscos e são utilizados como reforço na base de asfalto em obras de pavimentação, construção de calçadas e na manutenção de vias de terra. Já os resíduos de madeira, galhos e folhagens são transformados em composto orgânico e destinados a serviços de paisagismo em praças, jardins e áreas verdes. Inicialmente, para fazer a britagem do entulho, a Prefeitura recebeu o maquinário em comodato com uma indústria da cidade. No aterro existem três cooperativas trabalhando. Os cooperados, entre eles egressos do sistema prisional, fazem a separação dos materiais recicláveis e a britagem do entulho.

Inertes

De forma simplificada, inertes são produtos que não se decompõem e também não têm características combustíveis e, por isso, não produzem resíduos como os gases ou líquidos comuns no processo de decomposição do lixo doméstico. Os entulhos devem ser compactados e o que não for reaproveitado, enterrado. Depois de atingir o final de sua vida útil, um aterro de inertes pode ser transformado em um espaço público como praça e parque, por exemplo.

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“É uma obra de engenharia construída dentro de critérios da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para garantir a proteção ambiental”, explica Amaral Filho. No aterro de inertes uma das principais preocupações é com relação à estabilidade do terreno. “O que se procura garantir é que não haja escorregamento do material inerte que foi totalmente descartado”, comenta o professor. Segundo ele, aterros de inertes são obras mais simples do que os sanitários.

Podas de árvores e outros restos de vegetação também são enviados para o aterro de inertes. Ao contrário dos outros produtos, são materiais que se decompõem e podem ser reaproveitados em compostos orgânicos. Apesar de serem enviados para o mesmo local do entulho, desses resíduos normalmente é feito adubo.

Conscientização

Professor do curso de engenharia ambiental na Unesp Sorocaba, o engenheiro de materiais Sandro Donnini Mancini, afirma que no Brasil há a questão cultural envolvendo o descarte de entulhos. “Já há o consenso do produtor pagador. Ou seja, quem produz esse lixo tem que pagar para que ele seja retirado. Em qualquer obra o pedreiro avisa da necessidade de se contratar uma caçamba”, argumenta. Apesar disso, falta a conscientização sobre quais materiais devem ser colocados na caçamba.

“Não é difícil ver caçambas com sofás e outros produtos que não são considerados inertes. A gente vê de tudo em cima da caçamba e isso dificulta a separação e o reaproveitamento do entulho”, pondera. Mancini explica que no caso de sofás, o ideal no descarte é que o produto seja desmontado separando-se a madeira, tecido, espuma e estruturas metálicas. Plásticos, papéis e madeiras também não são considerados inertes e têm processos diversos de reaproveitamento.

Saiba como descartar materiais recicláveis
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Muitos são os resíduos e lixos gerados por uma pessoa ao longo da vida. Além de resto de comida, de óleo e entulho, há também o chamado lixo eletrônico, composto por computadores, televisões e outros aparelhos eletrônicos. Todos esses produtos, ao final da vida útil, podem ser reaproveitados de alguma forma e, por isso, é de extrema importância que a população dê o destino correto. A Secretaria de Parcerias (Separ) mantém o Programa Municipal de Coleta Seletiva, pelo qual a população pode dar descartar de maneira adequada este tipo de material.
De acordo com a assessora técnica da Separ, Gislaine Villas Boas, atualmente a coleta seletiva abrange 15% dos domicílios de Sorocaba. Quatro cooperativas fazem este trabalho na cidade: Catares, Reviver e Ecoeso (cuja sede delas é a Central de Reciclagem da Zona Oeste) e a Coreso. Cada cooperativa é responsável por uma região da cidade. Para saber qual delas atende determinada região, é só ligar na Separ, cujo telefone 3219-2281.
Em muitas residências, a coleta ainda não é realizada no sistema porta a porta, sendo assim, a opção para quem quiser destinar seu material é levá-lo até o ponto de coleta e entrega mais próximo, que normalmente é um dos galpões das cooperativas que estiverem mais perto. Atenção: móveis velhos e quebrados, entulhos de obra e materiais afins não são destinados à coleta seletiva de materiais recicláveis.
“Hoje em dia, cerca de 500 toneladas de material reciclável são coletadas mensalmente na cidade. Deste total, 330 toneladas são comercializadas, ou seja, deixam de ser enviadas ao aterro sanitário, geram renda aos cooperados e contribuem com a conservação do meio ambiente”, comenta Gislaine.
Lixo eletrônico
Em Sorocaba, também é possível dar um descarte correto ao chamado “lixo eletrônico”: televisões, monitores e CPUs de computadores, ventiladores, ferros de passar roupa, aparelhos de ar-condicionado, aspiradores, relógios, balanças, calculadoras, telefones, máquina de costura, radiografias, pilhas e baterias que não funcionam mais. Esses são alguns exemplos de materiais que podem ser encaminhados ao Núcleo Ambiental de Resíduos Eletroeletrônicos de Sorocaba, localizada na rua Ourinhos, 241, Jardim Iguatemi.
Nas Casas do Cidadão e os terminais de ônibus da cidade há postos de coleta de pilhas e baterias. Para dar a destinação correta ao produto, é necessário levá-los até o núcleo ou verificar se o caminhão da coleta seletiva passará pelo seu bairro. O Núcleo de Resíduos Eletroeletrônicos funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (15) 3325-5961.
Óleo de cozinha
A Prefeitura de Sorocaba, por meio da Separ, e em parceria com a Universidade de Sorocaba (Uniso), mantém a Usina de Biodiesel Móvel, uma unidade itinerante montada sobre uma carreta que produz combustível biodegradável a partir do óleo de cozinha usado, residencial ou comercial.
O óleo deve ser encaminhado diretamente à usina móvel, nas cooperativas de catadores parceiras da Prefeitura ou nas escolas e outros espaços visitados, conforme agenda da unidade, que pode ser conferida também pelo telefone da Separ (3219-2281). O produto deve estar acondicionado em garrafas plásticas.

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